Patricia Ferraz - A música em mim

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Niterói, RJ, Brazil
Produtora Cultura e Lighting Designer. Tornou-se conhecida por assinar a curadoria, direção de produção lighting designer, agenciamento artístico em projetos, shows, programas de TV, com alto reconhecimento de público e da crítica especializada. Atua no cenário cultural desde 1994. Desde 2007 vem ministrando pelo Brasil o Curso de Produção Cultural e Workshop de Iluminação APRENDA COM QUEM FAZ , também com um retorno expressivo de público e imprensa. Nesse trilhar já formou mais de 400 alunos e continua na estrada com o curso, onde ensina de maneira prática os segredos dos bastidores em produção e na iluminação em shows. Bem vindos ao meu universo musical.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pelo sabor do gesto

O Teatro Municipal de Niterói recebeu nos dias 04 e 05 de julho Zélia Duncan na estréia de seu novo show 'Pelo Sabor do Gesto'.

Fotos : Alexandre Moreira

Ainda impactada com o show sento aqui para falar um pouco e mostrar a vocês leitores do blog o que rolou por lá.

É difícil tecer comentários quando a protagonista da história é uma amiga querida mas vamos lá.
Já havia me emocionado com o repertório, arranjos e leveza quando ouvi CD .

Leila Pinheiro, Claudia Gimenez , Isabella Taviani e Ana Beatriz Nogueira que assina a belíssima direção do show, cruzaram a ponte para prestigiar a estréia Zélia Duncan em Niterói.

Terceiro sinal, teatro lotado.
Zélia de asas e coração aberto para novos vôos, sobe ao palco acompanhada por Jadna Zimmerman, Léo Brandão, Webster Santos e Ézio Filho.
Logo no início fiquei impactada com a luz assinada por Aurélio de Simoni , talento raro.

Zélia passeia pelo repertório do novo CD com maestria.
Saboreio os detalhes, melodias , letras e arranjos.

Me emociono dessa vez ao vivo com as canções , Todos os Verbos onde Zélia traduz a letra para a linguagem dos deficientes auditivos tecendo uma homenagem a Marta Morgado, uma fã portuguesa.



Telhados de Paris , canção tão familiar
aqui dentro




e
Pelo Sabor do Gesto canção que dá título ao CD.




Outro momento mágico foi ouvir Zélia interpretando Felicidade de Luiz Tatit.

Aplausos para minha amiga querida!
Agora é aguardar Zélia Duncan dia 29 de agosto no Canecão/ RJ.
Disponibilizo aqui alguns momentos do show em video que já rolam pelo You Tube , registrados por fãs de Zélia.
Divirtam-se!

*Dica do Bem: Intimidade é fato não dá pra fingir.

Beijos sonoros
Patricia Ferraz

terça-feira, 30 de junho de 2009

Vai Filhão!

Inverno solar por aqui .
Volto ao blog essa semana para falar do novo trabalho de Fábio Luna.
Cantor , compositor e instrumentista de primeira.

Conheci Fabio Luna durante a gravação o CD Lucina ' A Música em Mim' lançado pela Duncan Discos. Fabio gravou com Lucina e também assinou alguns arranjos, sua musicalidade me emociona.

Fabio Luna é carioca e aos seis anos teve suas primeiras aulas de violão, com seu irmão mais velho. Depois estudou flauta doce, transversa, bateria e percussão.

Começou a trabalhar com musica aos 18. Fez muito baile, acompanhou cantores e instrumentistas, atuou nos mais diferentes gêneros como samba, forró, rock, pop, jazz, musica erudita e contemporânea.
Quando a veia de compositor de Fábio começou a fluir o samba falou naturalmente mais alto.
" Compus 15 sambas, em fevereiro deste ano, no cavaco. Foi uma experiência muito legal, escrever música e letra, nunca havia feito isso. Fui mostrando pra uns amigos, tocando algumas no bar à noite, o povo foi gostando, até que meu amigo e produtor musical Daniel Vangarde me propôs gravarmos um cd com esse repertório.
Dany produziu o cd e convidamos meu amigo e professor de flauta Edu Neves pra fazer a direção musical e arregimentar a banda. Gravamos no inicio de abril, ao vivo, no estúdio Cia dos Técnicos, em Copacabana. Foi o bicho! Tivemos o auxílio luxuoso de Luiz Carlos T. Reis como engenheiro de som, e uma super banda com os músicos: Marcos Esguleba, Jaguara, Pretinho da Serrinha e Marcos Basílio (Percussão); Rogério Caetano (violão de 7 cordas); Paulão 7 Cordas (violão); Paulo Galeto (cavaquinho) e o próprio Edu Neves na Flauta "


O samba ' Vai Filhão ' lançado com sucesso no You Tube já virou hit e eu disponibilizo aqui para vocês.



Fabio propõe um desafio aos internautas , saiba mais no site: www.vaifilhao.com

Fabio Luna lança seu novo trabalho na Gafieira Elite dia 16 de julho somente para convidados!
Logo o show vai estar pelos palcos do Brasil e vocês poderão conferir o talento desse rapaz!

*Para saber e ouvir mais:
www.myspace.com/fabioluna

*Dica do bem: É sempre bom ouvir música boa com humor inteligente.

Aplausos para Fabio Luna!

Beijos sonoros
Patricia Ferraz

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Dolores Duran por Flávio Carpes

Dando sequência à série de grandes talentos, que apesar de suas rápidas trajetórias deixaram-nos grandes legados, vamos lembrar hoje Adiléia Silva da Rocha nasceu no Rio de Janeiro em 07 de junho de 1930. Filha de um sargento da Marinha, começou a cantar muito cedo e conquistou o primeiro prêmio aos dez anos de idade, no programa Calouros em Desfile, de Ary Barroso, no qual passou a se apresentar com frequência, dando início à sua carreira artística. Quando Adiléia tinha 12 anos o pai faleceu e, a partir de então, teve que sustentar a família, cantando em programas de calouros e trabalhando no rádio como atriz.
A partir dos 16 anos adotou o nome artístico Dolores Duran. Autodidata, cantava em inglês, francês, italiano e espanhol, a ponto de Ella Fitzgerald lhe dizer que foi na voz dela que ouviu a melhor interpretação do clássico My Funny Valentine.
No final da década de 1940, Dolores estreou na Rádio Nacional, tendo sido contratada para se apresentar ao lado de nomes como Chico Anysio e Ângela Maria. Em 1951, teve um relacionamento amoroso com João Donato, que não durou devido à oposição da família dele, então com 17 anos, enquanto Dolores tinha 21.

A estréia de Dolores em disco foi em 1952, gravando dois sambas para o Carnaval do ano seguinte: Que bom será (Alice Chaves, Salvador Miceli e Paulo Marquez) e Já não interessa (Domício Costa e Roberto Faissal). Em 1953, gravou Outono (Billy Blanco), e Lama (Paulo Marquez e Alice Chaves). Dois anos depois, vieram as músicas Canção da volta (Antonio Maria e Ismael Neto), Bom querer bem (Fernando Lobo), Praça Mauá (Billy Blanco) e Carioca (Antonio Maria e Ismael Neto).
Em 1955, casou-se com o radioator e músico Macedo Neto. No mesmo ano, foi vítima de um infarto, tendo passado trinta dias internada em um hospital. Dolores resolveu não seguir as restrições que os médicos lhe determinaram com relação ao cigarro e à bebida, agravando os problemas cardíacos que trazia desde a infância. Com isso, a depressão passou a marcar sua vida.
Em 1956, fez sucesso com a música Filha de Chico Brito, composta por Chico Anysio. No ano seguinte, um jovem compositor apresentou a Dolores uma composição dele com letra de Vinícius de Moraes. Tratava-se de Antônio Carlos Jobim em início de carreira. Em três minutos, Dolores pegou um lápis e escreveu outra letra para a música "Por Causa de Você". Tom mostrou a letra a Vinícius, que encantado, cedeu o espaço a Dolores. Foi revelado, a partir daí, o talento de Dolores para a composição e grandes sucessos se sucederam, como Estrada do Sol, Idéias Erradas, Minha Toada e A Noite do Meu Bem, entre outros.
Dolores passou por uma gravidez tubária, interrompendo o sonho de ser mãe. Em 1958, desquitou-se de Macedo Neto e passou meses na Europa. De volta ao Brasil adotou uma menina órfã, Maria Fernanda Virgínia da Rocha Macedo, que foi registrada por Macedo Neto, mesmo estando ele separado de Dolores e não tendo a menina qualquer parentesco com ele.
A partir daí, durante os dois últimos anos de vida, compôs algumas das mais marcantes músicas da MPB, como Castigo, A Noite do Meu Bem, Olha o Tempo Passando e Estrada do Sol, entre tantas outras.
Em 23 de outubro de 1959, aos 29 anos, sofreu outro infarto, desta vez fulminante, e deixou seu nome escrito na história da música brasileira. Mais um grande talento que se foi e que tem-se a impressão, pela intensidade com que viveu e produziu, que sabia que sua passagem por aqui seria rápida, mas marcante.

sábado, 13 de junho de 2009

Feriadão

Estradas para andar... Mochila de sonhos .

Chuva boa para lavar por dentro.
Dica do bem:

Beijos sonoros

Patricia Ferraz

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sidney Miller por Flávio Carpes

Olá. Dando prosseguimento à série onde falo de artistas que se foram cedo e pouco tempo tiveram para mostrar seus grandes talentos, presto hoje minha homenagem a Sidney Miller, carioca de Santa Tereza que despontou como compositor no cenário musical brasileiro durante a década de 1960, e assim como outros artistas que também estavam começando, participou com algum destaque de diversos festivais de música, bastante populares nesse período. Cursou Sociologia e Economia, porém sem concluir nenhum dos cursos. No início da carreira chegou a ser comparado com o também estreante Chico Buarque, uma vez que tinham em comum, além da timidez, a temática urbana e um especial cuidado na construção das letras. Além disso, a cantora Nara Leão, famosa por revelar novos compositores, teve grande importância na estréia dos dois - inclusive gravando, em 1967, o disco Vento de Maio, no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou quatro canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco. O primeiro registro importante como compositor foi em 1965 no I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior de São Paulo, obtendo o 4º lugar com a música Queixa, composta em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Cyro Monteiro. Em 1967, pelo famoso selo Elenco de Aloísio de Oliveira, lançou o primeiro disco, no qual se destaca por retrabalhar temas populares e cantigas de roda como O Circo, Passa Passa Gavião, Marré-de-Cy e Menina da Agulha. Sidney Miller compôs juntamente com Théo de Barros, Caetano Veloso e Gilberto Gil a trilha sonora para a peça “Arena conta Tiradentes”, dos dramaturgos Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Nesse mesmo ano, ao lado de Nara Leão interpretou a música A Estrada e o Violeiro no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record de São Paulo, conquistando o prêmio de melhor letra. Em 1968, também pelo selo Elenco lançou o Lp “Brasil, do Guarani ao Guaraná”, que contou com as participações especiais de diversos artistas como Paulinho da Viola, Gal Costa, Nara Leão, MPB-4, Gracinha Leporace e Jards Macalé.
O maior destaque do disco ficou por conta toada “Pois é, Pra Quê”, gravada mais tarde pelo MPB-4. A partir de então Sidney Miller intensificou a carreira na área de produção. Juntamente com Paulo Afonso Grisolli organizou no Teatro Casa Grande do Rio de Janeiro o espetáculo “Yes, Nós Temos Braguinha”, com o compositor João de Barro. Também com Grisolli, relançou a cantora Marlene, no show Carnavália, que fez bastante sucesso. Em 1969 produziu e criou os arranjos do Lp de Nara Leão, “Coisas do Mundo”.
Ainda em 69, ao lado de Paulo Afonso Grisolli, Tite de Lemos, Luís Carlos Maciel, Sueli Costa, Marcos Flaksmann e Marlene organizou o espetáculo “Alice no País do Divino Maravilhoso”, além de compor a trilha sonora do filme “Os Senhores da Terra”, do cineasta Paulo Thiago. Também para cinema, Sidney Miller foi o autor da trilha dos filmes Vida de Artista (1971) e Ovelha Negra (1974), ambos dirigidos por Haroldo Marinho Barbosa. Sidney Miller foi autor da trilha sonora das peças “Por mares nunca dantes navegados” (1972), de Orlando Miranda, na qual musicou alguns sonetos de Camões, e do espetáculo A torre em concurso (1974), de Joaquim Manuel de Macedo. Em 1974 lançou pela Som Livre o último disco de carreira o Lp Línguas de Fogo.
Nos últimos anos de vida, Sidney Miller estava afastado do circuito comercial.

Tinha planos de voltar a gravar, agora de forma independente, um LP que se chamaria Longo Circuito. Trabalhava na Funarte, quando faleceu após uma súbita parada cardíaca. A sala em que trabalhava passou a se chamar Sala Funarte Sidney Miller e foi transformada numa sala de espetáculos.

Queria finalizar esta homenagem, deixando aqui a letra de A Estrada e o Violeiro, que ele cantou em dueto com Nara Leão, onde ela era a estrada e ele o violeiro. Vejam que primor de poesia.

Sou violeiro caminhando só, por uma estrada caminhando só
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Parece um cordão sem ponta, pelo chão desenrolado
Rasgando tudo que encontra, a terra de lado a lado
Estrada de Sul a Norte, eu que passo, penso e peço
Notícias de toda sorte, de dias que eu não alcanço
De noites que eu desconheço, de amor, de vida e de morte
Eu que já corri o mundo cavalgando a terra nua
Tenho o peito mais profundo e a visão maior que a sua
Muita coisa tenho visto nos lugares onde eu passo
Mas cantando agora insisto neste aviso que ora faço
Não existe um só compasso pra contar o que eu assisto
Trago comigo uma viola só, para dizer uma palavra só
Para cantar o meu caminho só, porque sozinho vou à pé e pó
Guarde sempre na lembrança que esta estrada não é sua
Sua vista pouco alcança, mas a terra continua
Segue em frente, violeiro, que eu lhe dou a garantia
De que alguém passou primeiro na procura da alegria
Pois quem anda noite e dia sempre encontra um companheiro
Minha estrada, meu caminho, me responda de repente
Se eu aqui não vou sozinho, quem vai lá na minha frente?
Tanta gente, tão ligeira, que eu até perdi a conta
Mas lhe afirmo, violeiro, fora a dor que a dor não conta
Fora a morte quando encontra, vai na frente um povo inteiro
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Se meu destino é ter um rumo só, choro em meu pranto é pau, é pedra, é pó
Se esse rumo assim foi feito, sem aprumo e sem destino
Saio fora desse leito, desafio e desafino
Mudo a sorte do meu canto, mudo o Norte dessa estrada
Em meu povo não há santo, não há força, não há forte
Não há morte, não há nada que me faça sofrer tanto
Vai, violeiro, me leva pra outro lugar
Eu também quero um dia poder levar
Toda gente que virá Caminhando, procurando
Na certeza de encontrar.

*Ouça no You tube : Sidney Miller e Nara Leão
http://www.youtube.com/watch?v=MsY0QsgTQyQ

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Encontro de bambas e dicas de shows ! Lucina e Joyce lotam o auditório do TCE

Quem esteve quarta feira no Auditório do Espaço Cultural Humberto Braga que fica dentro do prédio do Tribunal de Contas no RJ se deliciou com o show incrível do "Projeto Lucina convida Joyce Moreno" .


Essas duas compositoras de grande quilate lotaram o auditório e encantaram a platéia presente . Juntas teceram canções inéditas e outras já consagradas misturadas ao um bate papo informal, divertido e íntimo.
Lucina preparou uma surpresa para Joyce convidando para dividir o palco no final do show o Coral do TCE . Para os que não foram deixo aqui alguns cliques do show.

Aplausos para Lucina e Joyce e também para o Coral do TCE regido por Zeca Rodrigues e Glaucia e dirigido por Lucina.
Vale resaltar que esse espaço do TCE é muito simpático e aconchegante.
Vida longa ao Projeto Lucina convida no TCE. Aguadem os próximos encontros !


*DICAS DE SHOWS e OFICINA DE COMPOSIÇÃO COM LUCINA

- Projeto Música Pantaneira - Lucina , Tetê Espíndola , Jerry Espíndola e Alzira E, chega a Braslia dias 30 (sábado) às 20hs e 31 ( domingo) às 19hs no Teatro da Caixa - Inf. (61) 3206-6456


- Show Lucina em Pirenópolis - dias 05 e 06 de Junho (sábado e domingo) no Pireneus Café - Rua Pirineus Nº.41, Centro.


- Oficina de composição musical com Lucina em Brasília
Data: 07/06/2009 das 14 às 18hs.
Local: Academia Vila da Dança. End: SHIS QI 23, Ed. Top 23. Térreo - Lago Sul
Inf. e inscrições: Alan Franson
(61) 3522.7378 / 9136.2604 / 9280.2618 / contato@lotusentretenimento.com

- Show Luciane Nardi no Rio de Janeiro: amanhã dia 29 (sábado ).
Vale a pena conferir!

*DICA DO BEM: Tempo bom para plantar sorrisos e sonhos

Beijocas sonoras,

Patricia Ferraz

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Música boa nesse outono quente. Lucina recebe Joyce Moreno


Adoro o céu de outono, a temperatura e a vibração dessa época .

Nessa segunda feira de céu azul, passo aqui para divulgar o show que Lucina vai estar fazendo na próxima quarta feira dia 27 de maio às 12:00 no Espaço Cultural Humberto Braga no Tribunal de Contas no Rio de Janeiro - Praça da República 54/56/ Centro ( em frente ao Campo de Santana).
Lucina irá receber Joyce Moreno ( cantora e compositora) para um papo gostoso e muita música boa.

Vale a pena dar uma fugida na hora do almoço e saborear esse encontro.

Estarei por lá iluminando, produzindo e cantando junto.

Apareçam e divulguem.
*Dica do bem: Diga não ao Jabá nas radios, tvs , imprensa escrita e espaços de shows.
Beijos sonoros
Patricia Ferraz

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Leros e Leros, por Flávio Carpes.

Esta quinta-feira eu queria começar a falar de artistas que se foram e deixaram pra quem ficou um legado de composições ou gravações, cantadas ou tocadas, ...artistas que, por qualquer razão, viveram pouco; músicos, cantores, compositores que tiveram pouco tempo para mostrar seus talentos, mas o que tempo que tiveram já foi suficiente. Malditos ou queridos, esquecidos ou não, escreveram seus nomes na história da cultura brasileira.

E que tal começar por Sérgio Moraes Sampaio?
Cantor e compositor, nascido em Cachoeiro de Itapemirim,Espírito Santo, em 13 de abril de 1947 e falecido no Rio de Janeiro em 15 de maio de 1994 e, sobre quem, o Jornal “O Estado de São Paulo” publicou uma matéria no último dia 12, da qual reproduzo parte aqui.
Discípulos revivem Sérgio Sampaio: Cantor ''maldito'' que morreu esquecido há 15 anos vira culto de novas bandas e até seu túmulo é comparado ao de Morrison.

Morto há 15 anos, aos 47 anos, o cantor e compositor capixaba Sérgio Sampaio vive um curioso caso de renascimento circular. No Espírito Santo, no sábado e domingo, garotos de bandas novíssimas (Boca do Mato, Lua e Geo Venttannia), que tocam suas músicas, farão um tributo ao poeta em Barra do Jucu, uma praia a 40 km de Vitória (ES). Alunos de uma escola da região mostrarão documentário que produziram sobre o artista, e admiradores de todos os quadrantes rumarão para o litoral capixaba.

"Vai ser uma reunião de malucos, uma romaria de sampaiófilos", antevê o documentarista João Moraes, primo de Sérgio Sampaio e organizador das jornadas. Haverá shows também em Vitória, no clube Espírito Jazz, com o grupo Tangos e Outras Delícias, liderado por Juliano Gauche. Em São Paulo, o grupo Cérebro Eletrônico é um dos mais animados discípulos de Sampaio. No Rio, a banda Boato toca seu repertório.

Sérgio Sampaio integra uma galeria de "malditos" da MPB, que incluiria Melodia, Itamar, Torquato Neto, Macalé, Mautner e Arrigo. Não à toa, foi parceiro de Raul Seixas em seu primeiro disco, “A Sociedade da Grã-Ordem Cavernista Apresenta: Sessão das Dez” (1971). Ao morrer de pancreatite, em 15 de maio de 1994, Sampaio tinha legado ao futuro apenas um hit, a música Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua, de 1972, que ganhou o Festival Internacional da Canção ao ser apresentada no Maracanãzinho naquele ano. Mas a sua obra é vasta, reunida em quatro discos e um póstumo, Cruel, lançado por Zeca Baleiro. Em 1998, artistas como João Bosco, João Nogueira, Eduardo Dusek, Luiz Melodia, Lenine, Zé Ramalho, Chico César e outros gravaram O Balaio do Sampaio, que ajudou a recolocar o nome de Sampaio na ordem do dia.

Mas, para João Moraes, o culto novíssimo em torno do artista não tem nada de saudosista. É pela internet que jovens de 14, 15, 16 anos estão descobrindo e adotando a poesia de Sérgio Sampaio como referencial. "É um fenômeno na web. Trata-se de uma galera que nunca viu Sérgio vivo, que nunca o tinha ouvido antes, mas já forma várias comunidades, páginas no MySpace. Para eles, é uma descoberta", diz o cineasta.

Em abril, na véspera do show de 50 anos de carreira de Roberto Carlos, em Cachoeiro de Itapemirim (ES), em plena celebração do “Rei”, o culto a Sérgio Sampaio deu as caras na Praça Jerônimo Monteiro, no centro da cidade. Cerca de 200 pessoas se reuniram para ouvir a banda Tangos e Outras Delícias, que toca um repertório inteiramente sampaiófilo.

O cantor que liderava a banda-tributo, Juliano Gauche, era tão parecido fisicamente com o cantor morto em 1994 que até a família se espantava. "Hoje eu encontrei o túmulo de Sérgio Sampaio depois de procurar muito, e fui lá e me deitei no túmulo dele, e foi como se estivesse no túmulo de Jim Morrison", disse Juliano à plateia, comparando divertidamente o pequeno cemitério de Cachoeiro com o de Père Lachaise, em Paris.

No ano passado, a poética de Sérgio Sampaio foi examinada em um livro ensaístico lançado no Espírito Santo, Eu Sou Aquele Que Disse - Estudos e Impressões Sobre a Obra e a Vida de Sérgio Sampaio, publicado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). "Penso que as letras de Sérgio Sampaio se irmanam aos poemas da geração marginal sobretudo por um desejo, eu diria romântico, para não dizer utópico, de aproximar, à beira da indistinção, poesia e vida", diz o ensaísta Wilberth Salgueiro, doutor em Teoria Literária pela UFRJ. (Fim da reportagem)

Seja como for, maldito ou não, me lembro muito bem de na minha adolescência ouvir no rádio mais do que uma música de Sérgio Sampaio e de jamais ter esquecido os versos... Meu amigo...um dia eu ouvi maravilhado no radinho do meu vizinho seu “rockzinho” antigo....foi como se alguma bomba houvesse explodido no ar....ou ainda...Leros e leros, traga branco seu sorriso...em que rua em que cidade, eu fui mais feliz...... ou seja, maldito ou não, Sérgio Sampaio tocava no rádio. Que bom!!! Que sorte a nossa!!! E me veio agora uma pergunta....de que será que Sérgio se fez no seu encontro com Deus....de moderno ou de eterno? Pra mim, ele foi os dois. Flávio Carpes

terça-feira, 19 de maio de 2009

Diário de viagem

Depois de alguns dias ausente do blog viajando a trabalho ministrando o curso de produção e produzindo shows por aí , volto aqui ainda impactada com alguns talentos musicais que aos poucos despontam no cenário musical de Brasília e Salvador.
Desde 2007, venho ministrando o curso de produção APRENDA COM QUEM FAZ pelo Brasil e assim formando uma Network de produtores por aí , fazendo amigos e descobrindo através de indicações dos alunos , artistas que fazem a diferença.

Em Brasília...

Quando estive em Brasília fui convidada a assistir um show em um pub pequeno , lotado , esfumaçado mas com artista que me impressionou muito, Thales Jr. Compositor e intérprete de primeira.
Thales Jr mudou-se para o RJ e é o meu mais novo pupilo. Juntos estamos trilhando o lançamento de sua carreira musical. Nas próximas semanas você vai poder ler aqui uma entrevista com Thales Jr e saber um pouco mais da trajetória desse artista.

Em Salvador...

Sempre quando chego a Salvador fico impressionada com a quantidade de artistas talentosos que encontro por lá . Domingo após o término do curso de produção , fui convidada para assistir o show de Daniela Tourinho. Confesso que estava com uma certa preguiça. Chovia muito e eu tinha acabado de ministrar o cuso por dois dias seguidos . Por ouvir ótimas indicações dessa artista, sacudi a preguiça e segui rumo a Ribeira para ouvir Daniela. Quando cheguei ao local do show fiquei meio decepcionada , um bar pequeno, com poucas mesas e com um ar condicionado de gelar urso polar. Já que estava ali com amigos resolvi relaxar, me aquecer e aguardar o início do show.

Daniela Tourinho sobe ao palco. Aplausos para essa artista que mesmo misturada a uma platéia barulhenta me fez perceber o quanto seu trabalho é pautado na qualidade musical. Presença cênica forte, repetório de bom gosto, arranjos bem concebidos e uma linda voz são características dessa artista , cantora e compositora.
De volta ao Rio, começo a pensar em trazer essa artista para os palcos cariocas para que vocês possam ver , ouvir e aplaudir Daniela.
Quem afirma que Salvador só tem axé, esta muito enganado.
Tem muito artista por lá que faz a diferença no cenário musical.
Breve estarei comentando o trabalho musical de Mariella Santiago
*Para ouvir Daniela :
Aproveito para informar aqui as novas datas do Curso de Produção APRENDA COM QUEM FAZ
Rio de Janeiro: dias 30 e 31 de maio (sábado e domingo)
São Paulo: 06 e 7 de junho (sábado e domingo)
Informações via e-mail: patiferrazproducao@gmail.com
Vale lembrar que as vagas são limitadas!
Dica do bem: Sem silêncio, não existe som.
beijocas sonoras
Patricia Ferraz

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A falência das rádios , por Flávio Carpes!


Já é quinta-feira de novo....o dia amanheceu nublado e eu, pra variar, atrasado, escrevendo o blog.......fui conferir o tempo e o céu estava completamente azul. Tempo doido....tempo que não pára. Ontem eu me dei conta quando cheguei num dos meus trabalhos, por volta das 18 e 30, que estava noite. Aí me espantei...afinal, ontem, ou há poucos dias (ou seriam poucos meses?), eu chegava lá na mesma hora com sol. Não foi há poucos dias? Mas parece. Curiosamente meu alento foi que dentro de poucos dias (ou meses) já será outubro e o horário de verão estará de volta. O fato é que, atualmente, os meses passam como dias. Acho que os mais novos lidam melhor com isso...afinal, meu filho me disse outro dia de manhã ao puxar-lhe as orelhas pois estava atrasado para a aula: “Pai....eu não posso fazer nada...o tempo não pára e ficamos à mercê disso”. Olhei-o espantado e, apesar de saber que é um grande gozador, pensei que de certa forma ele tem razão. Nem quero pensar nisso, principalmente quando me lembro que já completou um ano e três meses que estou fora do rádio, pelo menos do Rio de Janeiro. Ah...o rádio do Rio de Janeiro!!! Que coisa horrível está o rádio do Rio de Janeiro!!! Faço uma força absurda, mas não consigo mais ouvir as nossas emissoras de rádio. Pasteurizadas, desfiguradas, sem cara de nada...absolutamente nada. Como pode isso? O rádio não é mais o rádio pelo rádio. O rádio hoje pertence, por exemplo, a empresários que precisam de uma emissora para divulgar os eventos que promovem; a empresas de telefonia para quem o rádio não passa de instrumento para vender aparelhos, planos, serviços, ringtones e outros badulaques mais. A música acaba e, se por uma felicidade do destino, você gostou do que ouviu, não vai saber o nome porque o locutor não anuncia a música....quando tem locutor....quando ele deixou a música acabar. Há rádios de notícias (news)...que chique né? Uma delas, quando tinha locutores, eram contratados como operadores de áudio e ganhavam adicional por acúmulo de função como locutores. Hã? Operadores de áudio que falam? Não. Só que locutores contratados como operadores de áudio, podem trabalhar mais e ganhar menos por lei. É isso. Essa mesma emissora acabou demitindo todos os locutores (desculpe...operadortes que falam), pois, dizem os empresários de comunicação: “precisamos colocar no ar quem realmente escreve a notícia”. Ou melhor...o estagiário que copia e cola dos sites de notícias, as “news” que vão ser lidas no ar. Algumas emissoras fecharam as portas e demitiram todos os seus funcionários, seduzidas por propostas de aluguel do canal de comunicação para pastores, igrejas, babablorixás, milagreiros...enfim....gurus fantásticos que juram que exorcisam qualquer parada...lhe tiram o demônio de dentro, fazem o cego andar, o paralítico falar, o mudo escutar; prometem milagres e fortuna rápida. Fala, que eu te escuto. As emissoras de rádio estão nas mãos de quem não gosta do rádio, de quem não entende de rádio, de quem não vive do rádio. E a música...como fica nisso tudo? O jabá virou verba de publicidade. Entra pra emissora com Nota Fiscal e tudo mais.
Portanto, o caminho é a web. Rádios e mais rádios surgem diariamente na internet e começam a conquistar grande audiência, seguindo a tendência natural da segmentação. Rádios de rock, de jazz, de blues, de MPB, de gospel, de samba, de bossa. Dia após dia começam a desbancar as grandes rádios comerciais e a levar os tais empresários a brincar de outra coisa e os milagreiros a enganar cada vez menos incautos....graças a Deus!
Flávio Carpes

SINTONIZE!