Patricia Ferraz - A música em mim

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Niterói, RJ, Brazil
Produtora Cultura e Lighting Designer. Tornou-se conhecida por assinar a curadoria, direção de produção lighting designer, agenciamento artístico em projetos, shows, programas de TV, com alto reconhecimento de público e da crítica especializada. Atua no cenário cultural desde 1994. Desde 2007 vem ministrando pelo Brasil o Curso de Produção Cultural e Workshop de Iluminação APRENDA COM QUEM FAZ , também com um retorno expressivo de público e imprensa. Nesse trilhar já formou mais de 400 alunos e continua na estrada com o curso, onde ensina de maneira prática os segredos dos bastidores em produção e na iluminação em shows. Bem vindos ao meu universo musical.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A falência das rádios , por Flávio Carpes!


Já é quinta-feira de novo....o dia amanheceu nublado e eu, pra variar, atrasado, escrevendo o blog.......fui conferir o tempo e o céu estava completamente azul. Tempo doido....tempo que não pára. Ontem eu me dei conta quando cheguei num dos meus trabalhos, por volta das 18 e 30, que estava noite. Aí me espantei...afinal, ontem, ou há poucos dias (ou seriam poucos meses?), eu chegava lá na mesma hora com sol. Não foi há poucos dias? Mas parece. Curiosamente meu alento foi que dentro de poucos dias (ou meses) já será outubro e o horário de verão estará de volta. O fato é que, atualmente, os meses passam como dias. Acho que os mais novos lidam melhor com isso...afinal, meu filho me disse outro dia de manhã ao puxar-lhe as orelhas pois estava atrasado para a aula: “Pai....eu não posso fazer nada...o tempo não pára e ficamos à mercê disso”. Olhei-o espantado e, apesar de saber que é um grande gozador, pensei que de certa forma ele tem razão. Nem quero pensar nisso, principalmente quando me lembro que já completou um ano e três meses que estou fora do rádio, pelo menos do Rio de Janeiro. Ah...o rádio do Rio de Janeiro!!! Que coisa horrível está o rádio do Rio de Janeiro!!! Faço uma força absurda, mas não consigo mais ouvir as nossas emissoras de rádio. Pasteurizadas, desfiguradas, sem cara de nada...absolutamente nada. Como pode isso? O rádio não é mais o rádio pelo rádio. O rádio hoje pertence, por exemplo, a empresários que precisam de uma emissora para divulgar os eventos que promovem; a empresas de telefonia para quem o rádio não passa de instrumento para vender aparelhos, planos, serviços, ringtones e outros badulaques mais. A música acaba e, se por uma felicidade do destino, você gostou do que ouviu, não vai saber o nome porque o locutor não anuncia a música....quando tem locutor....quando ele deixou a música acabar. Há rádios de notícias (news)...que chique né? Uma delas, quando tinha locutores, eram contratados como operadores de áudio e ganhavam adicional por acúmulo de função como locutores. Hã? Operadores de áudio que falam? Não. Só que locutores contratados como operadores de áudio, podem trabalhar mais e ganhar menos por lei. É isso. Essa mesma emissora acabou demitindo todos os locutores (desculpe...operadortes que falam), pois, dizem os empresários de comunicação: “precisamos colocar no ar quem realmente escreve a notícia”. Ou melhor...o estagiário que copia e cola dos sites de notícias, as “news” que vão ser lidas no ar. Algumas emissoras fecharam as portas e demitiram todos os seus funcionários, seduzidas por propostas de aluguel do canal de comunicação para pastores, igrejas, babablorixás, milagreiros...enfim....gurus fantásticos que juram que exorcisam qualquer parada...lhe tiram o demônio de dentro, fazem o cego andar, o paralítico falar, o mudo escutar; prometem milagres e fortuna rápida. Fala, que eu te escuto. As emissoras de rádio estão nas mãos de quem não gosta do rádio, de quem não entende de rádio, de quem não vive do rádio. E a música...como fica nisso tudo? O jabá virou verba de publicidade. Entra pra emissora com Nota Fiscal e tudo mais.
Portanto, o caminho é a web. Rádios e mais rádios surgem diariamente na internet e começam a conquistar grande audiência, seguindo a tendência natural da segmentação. Rádios de rock, de jazz, de blues, de MPB, de gospel, de samba, de bossa. Dia após dia começam a desbancar as grandes rádios comerciais e a levar os tais empresários a brincar de outra coisa e os milagreiros a enganar cada vez menos incautos....graças a Deus!
Flávio Carpes

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5 comentários:

  1. Olá, Flávio! tudo bem?
    Sou amigo da Pati Ferraz e sempre acompanho o espaço, mas esta é a primeira vez que deixo um comentário por aqui.

    É lamentável o que restou (se é que restou algo de bom) das rádios em geral. A impressão que eu tenho é que as programações funcionam parecidas com um velho ditado popular: "Manda quem PAGA, obedece quem tem juízo".

    Acho que essa é a pista para entender porque, há anos, ouvimos um seleto grupo de artistas tocando sem parar - e que, curiosamente, são aqueles que sobraram no cast das antigas e ex- poderosas gravadoras...

    Enfim, viva o cyberespaço e a independência! e, com ele, todos que fazem sua arte e a compartilham, por amor à arte e por acreditar na perpetuação da cultura. Um abraço!

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  2. Joao Carlos Carino7 de maio de 2009 18:26

    Não é bem assim. No Rio de Janeiro temos a RADIO MEC AM que toca MPB da melhor qualidade, além de manter programas produzidos por especialistas. A MEC ainda tem o FM com programação voltada para a música clássica, além de jazz, choro e bossa-nova. Além delas, ainda podemos encontrar a RADIO ROQUETTE PINTO e a RADIO NACIONAL. Nenhuma delas tem jaba ou coisa parecida. Refaça a sintonia do seu dial. Nem tudo está perdido.
    Abraço
    João Carlos Carino

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  3. Obrigado ao Fábio e ao João Carlos por seus comentários. É louvável destacar realmente o trabalho que fazem as Rádios MEC FM e AM, Roquette Pinto e Nacional AM (pois a Nacional FM, que era fabulosa) foi vendida também. Ouço algumas vezes a MEC FM e a Roquette FM. Mas essas emissoras lutam de forma heróica e acabam segmentando seus horários, o que não lhes dá uma cara...um perfil definido. Se por um lado são rádios bastante variadas, por outro, acaba-se de ouvir um programa na Roquette como o Conexões Urbanas, por exemplo, e entra um programa de música francesa. Bem... que fique registrada a resistência corajosa dessas emissoras, mas que isso não signifique que eu tenho que refazer o meu dial. De vinte ou vinte e duas emissoras cariocas oficiais de FM, temos duas boas...é isso? Pra mim é muito pouco. Mas o objetivo aqui é realmente fomentar o debate e que isso traga o crescimento do mercado rádio do Rio de Janeiro. Abraços

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  4. João Carlos Carino8 de maio de 2009 16:13

    Tente ouvir a MEC AM, apesar da sua transmissão ser sofrível. Vc irá se surpreender com a qualidade da programação. Em breve será veiculada com um transmissor de 100K.
    Acho louvável a diversidade da programação. Principalmente quando a concorrência não produz nenhuma alternativa. Essa é a idéia: fazer uma rádio que atenda todos os gostos.

    Porém, a solução de qualidade virá com a chegada da radio digital, que não sai do papel. O prazo de 10 anos para a sua implementação está se passando e não vejo interesse do governo neste assunto. Quando for implantada as radios irão se quadruplicar e necessariamente terão que se segmentar, isto é, se especializar. Grosso modo, em uma mesma sintonia poderemos ter várias rádios, por exemplo: Rádio GLOBO Esporte, Radio GLOBO música, Rádio GLOBO Clássico etc. Acredito que a especialização vai elevar o nível, diminuir o jabá e aumentar a concorrência. Outra solução a curto prazo seria criminalizar o jabá, coisa que acontece em vários paises.
    Até que a web atinja todos os rincões deste enorme Brasil e que consiga ter uma estrutura de jornalismo efiente, o rádio convencional ainda tem pela frente um longo e próspero reinado. A solução é lutar pelo rádio e não desistir dele. Até porque,"a grana que ergue e destrói coisas belas" (Caetano) pode se prolongar para a web, acabando com sua qualidade.
    Abraço

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  5. Olá Flávio e Patricia concordo com vc, as rádios noRJ tem uma programação muito ruim , isso se dá certamente pela forte atuação do jaba.
    Para ouvir o que elas tocam prefiro colocar meu vinil e ouvir o que escolho.
    Falando nisso vcs não acham que deveríamos soltar aqui tb a falência das casa noturnas , teatros e bares do RJ.
    Esses espaços tb cobram um absurdo para os artistas se apresentarem, acho isso um abuso!
    Vida longa a esse blog
    Parabéns

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